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Sep 4, 2004
 
 

Quando mudamos de nossa terra natal vamos
cheios de esperanças e com um espírito aventureiro próprio de quem acredita na
vida e em si mesmo.

Para mim, mudar de estado ou de país dá no mesmo.O Brasil tem em cada estado da
federação, costumes próprios e diferentes dos outros. Falamos a mesma língua
protuguêsa mas as palavras, muitas vezes, não têm o mesmo sentido. É dura a
adaptação.

No começo, alguns amigos telefonam e os parentes mais chegados, também.
Esperamos ansiosos pelas visitas e temos até roupas de cama e quarto para
hóspedes.

Quando chegam, vamos buscar no aeroporto ou na rodoviária sejam a que horas
cheguem. Levamos para passear nos locais mais bonitos. Parece que estamos de
férias na cidade que já conhecemos melhor.

Com o tempo, os telefonemas escasseiam e as visitas não aparecem nem nos
melhores dias de sol das férias. Nossos telefonemas que, antes, eram bem
recebidos com alegria e cheios de assunto, já não rendem. Os interesses se
distanciam.

Passam-se os anos e quando visitamos a casa que foi nossa, os parentes já nos
olham com curiosidade. Talvez notem mudanças em nós e que não notamos. Os
espaços, com o tempo e cada um envelhecendo com novas famílias e postura na
vida ficam, claramente, definidos. Estamos ausentes há muito tempo e vamos
ficando de fora.



Uma coisa é real, com o tempo passando, anos, décadas nós nos tornamos
estranhos na própria família e aqueles amigos deixados para trás somem de tal
forma que nem os reconhecemos se encontrados, por acaso, aqui ou acolá.



Assim, quando uma pessoa se muda para longe dos seus para formar uma nova vida,
faz melhor em estar preparado para o dia quando terá a dor de ser tratado como
uma pessoa que morreu e, com o tempo, esquecido, é o mesmo que ninguém nem
colocar mais nenhuma flor na sua sepultura.

 

Magui

 
 
 

      

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